Acessibilidade cultural para pessoas com deficiência intelectual: o que se ganha?

Nossos três últimos passeios com o grupo de alunas do "Raízes e Asas" procuraram atender a um dos pilares do programa - a garantia à acessibilidade cultural.




Fomos até a Sala São Paulo para assistir a um espetáculo que uniu música erudita e The Beatles; vimos o documentário teatral "60! Década de Arromba", que passeou pelas pérolas do cancioneiro popular da época; e prestigiamos o musical "Alegria, Alegria", que celebrou os 50 anos da Tropicália.




O que nossas alunas ganham com isso?



Para além das questões "didáticas", como a observação dos instrumentos de uma orquestra, ou o entendimento das diferenças entre a música erudita e a popular, identificamos ganhos que transcendem os aspectos pedagógicos específicos de cada passeio...




Ao ocuparem um espaço pouco frequentado por elas e sentirem-se acolhidas, percebem que também "cabem" neste lugar; que são tão bem vindas quanto qualquer outro espectador; que têm direito à diversão, mesmo se percebendo diferentes, ainda que não saibam explicar racionalmente a diferença que sentem.




O contato com linguagens diversas amplia olhares e as possibilidades de leituras de mundo; além, é claro, do deleite que a apropriação do que se produz de belo é capaz de provocar em qualquer ser humano.












E nós, que acompanhamos o grupo, sempre analisando os aspectos técnicos das propostas, bem como os benefícios que elas podem trazer, somos surpreendidas ao notarmos o brilho no olhar; a felicidade que não se esgota nas palmas, que não cabe no corpo, que precisa ser extrapolada em palavras...


Muito. Ganha-se muito.


Mariana Dias Ribeiro


Os passeios referidos neste texto fazem parte da grade regular de atividades do Programa raízes e Asas.


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